Palas Projeta

27 01 2009

palas-projeta

Dando procedimento à revitalização do Espaço Cultural Juvenal Tavares, o Palas lançou na última sexta-feira um novo projeto que consiste na exibição semanal de filmes para o público silvaniense. Na primeira sessão do Palas Projeta foi exibido o filme:  “Batman – O cavaleiro das trevas”.

Agora em cartaz:

28/01 – Mazzaropi – Chofer de Praça

30/01 – Juno

Confira a programação completa pelo link:

http://palasprojeta.wordpress.com/

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Bagatela!!!

8 04 2008

Outro dia, estava caminhando tranquilo pela Av. Goiás quando, de repente, começou a chover. A chuva estava tão forte que me obrigou a entrar no comércio mais próximo pra não me molhar. Entrei num sebo e como a chuva iria demorar a passar, fui perder tempo na sessão de filmes. Encontrei dois filmes que adoro, mas nenhum deles estava valendo a pena: uma edição (maltratada) de Sobre Meninos e Lobos do Eastwood e outra de Elephant do Gus Van Sant sendo oferecida por um preço absurdo. Lá fora, a chuva caindo. Enquanto isso, na parte baixa de uma estante escondida na sessão de filmes do sebo, eis que surge em minha frente um edição imponente de Touro Indomável de Martin Scorsese, sendo vendida por (pasmem!) quatorze reais. DVD duplo, edição de colecionador e em perfeiro estado. Eu fiquei por meia hora só olhando aquele clássico, não acreditava, tinha algo errado. O preço é esse mesmo?. Corri para o caixa com o filme debaixo do braço e paguei sem pedir desconto, aquele preço era uma bagatela. Estava atônito quando saí do sebo com aquela obra-prima na sacola. A chuva tinha diminuído, mas ainda chovia. Desci a Goiás chutando os pingos de chuva e cheguei em casa ensopado, dizendo: “Agora, Jake La Motta mora em minha estante!”.





Quanto pesam 21 gramas?

16 01 2008

21

“Quantas vidas vivemos?
Quantas vezes morremos?
Dizem que todos nós perdemos 21 gramas no momento exato de nossa morte. Todos!
Quanto cabe em 21 gramas?
Quanto é perdido?
Quando perdemos 21 gramas?
Quanto se vai com eles?
Quanto é ganho?
Quanto é ganho?
21 gramas. O peso de cinco moedas de cinco centavos, o peso de um beija-flor.
De uma barra de chocolate.
Quanto pesam 21 gramas?”

Nos preocupamos com toneladas, mas no final levamos estas 21 gramas…

21 Grams ( Alejandro González Iñárritu, 2004)





Bom filme, belo poema.

10 12 2007

vialactea

Assisti “A Via Láctea” no cine ouro, ao lado de minha “irmã” Nara, numa sessão de premiados do Festcine. Faz algum tempo, mas recordo que era segunda-feira, uma tarde sem amigos, já me arrumava para ir sozinho ao cine ouro, quando decidi chamar Nara pra ir comigo. Nem botava fé que ela iria botar fé de ir comigo, mas no fim acabou indo. O filme me chamou a atenção por ser diferente do padrão de filmes brasileiros, que são, geralmente, ou de violência sensacionalista ou cópias fajutas de novelas da Globo. A Via Láctea é poético, é um filme totalmente original, com o qual Lina Chamie assumiu o risco de experimentar uma linguagem cinematográfica ousada e ambiciosa.
A narração é fragmentada, a câmera se fixa nos imensos jogos de luzes da noite paulistana, dos faróis dos carros à luz das estrelas, enquanto a música de Schubert e Mozart, que se funde com o barulho da cidade, aparece como um elemento dramático de narração tão importante, às vezes mais, que os diálogos.

A melhor cena do filme, se dá quando um interessante jogo de palavras se forma enquanto Marco Ricca, com sua voz em off, narra Chuva Interior, uma bela poesia de Mário Chamie.

Segue abaixo o belo poema de Mário Chamie.

Chuva Interior

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.